Verbetes

Síncope: s.f. você pode achar que é uma supressão, uma interrupção, um desmaio, mas na verdade é uma sinalização de que há um abismo entre letras e frases de uma música.

Precaução: s.f. qualquer ato motivado pelo medo de Inês morrer. Uma garantia boba antes do fato, superstição, magia, ritual, prisão.

Verdade: adj.f. Tudo aquilo que acontece.

Lindo: s.m. do espanhol “el indo” ou “lo indo”, significa aquilo que foi; o passado. Quando substantivo feminino é derivado do francês “il inda”, significa aquilo que será; a vida.

Presunção: s.2gên. fazer os outros pensarem que você é o máximo através da emissão de um ponto de vista. (máxima: não existe modéstia em matéria de poesia boa).

Invenção: s. sui generis. a palavra invenção tem seu significado condicionado à noção moral daquele que a profere. Por exemplo: se compartilhada e aceita por um grupo, por mais absurda, terá valor estético e, portanto, será algo comparado à criação. Se tiver uma funcionalidade social, então será científica. Se não for compartilhada, única, original, ou coisa que o valha, a invenção será apenas loucura, mentira ou engano. No entanto, no futuro, poderá ser arte de um personagem já que seu autor não estará vivo para gozar do reconhecimento alheio. Mas, com certeza, ela será arte se houver boa vontade em reconhecer nela mais do que tudo uma interpretação da realidade. Daí outra acepção: inventar: e seja o que eles quiserem.

Liniers

Paixão: s.f. coletivo de incertezas.

Eu fico me perguntando se o que sinto por você é suficiente… Tipo o desejo de colocar meu nariz no seu pescoço ou cochilar agarrada no seu corpo numa tarde de domingo antes de começar a semana. Ou o desejo de ter o passe livre pra dividir com você toda a beleza que meus olhos captam e torna meus ouvidos vagabundos. Minha sede pelo seu tato e o sonho de escrever músicas para você. Fico imaginando se isso tudo seria suficiente. Porque eu não tenho medo de amar, mas da ilusão… Tenho medo de estar imersa numa utopia que exclua a vida real. Não só porque eu amo muito a vida, mas porque a realidade é um deus vingativo quando ignorado, que de repente nos agarra pelo crânio e soca nosso rosto contra o muro até não nos reconhecermos mais. Eu fico me perguntando se seria suficiente o simples fato de você ter inventado a solidão em mim. De no fundo, mas nem tão no fundo, acreditar como Sócrates que você me trará uma verdade. E sabe, essa filosofia Grega está bem fora de moda. Para não dizer absurda. E tem também essa moral, sabe? Eu não suportaria descobrir que você foi engolido por mim. E eu estaria realmente confundindo culpa com amor. Então como evitar? Como saber que o que sinto por você é o suficiente para evitar todos os meus erros do passado? E se elas forem as respostas pra eu te conquistar para sempre? Não como a Alemanha à França, mas como os Africanos ao Brasil? Isso é romântico demais, né? Mesmo pra você que escreve poemas antigos feito Castro Alves… Mas sabe, todas estas dúvidas não servem para me separar de você. Pelo contrário. E isto é tudo o que posso te dar: perguntas sem respostas. E mesmo estando em tremenda desvantagem com tantas perguntas eu só fico pensando se é suficiente… E tudo o que faço é pensar e isso não pode ser tão perigoso assim.

A vida é um carrossel de significados…

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— Daniela é assim como um jardim selvagem — disse tio Ed olhando para o teto. Como um jardim selvagem... Tia Pombinha concordou fazendo uma cara muito esperta. (...) Mas, e um jardim selvagem? O que era um jardim selvagem? Foi o que lhe perguntei. Ele me olhou com um ar de gigante da montanha falando com a formiguinha. — Jardim selvagem é um jardim selvagem, menina. — Ah, bom ! eu disse”. Lígia Fagundes Telles - O jardim selvagem. In Antes do Baile Verde.

Por letras

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